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É consenso entre público e crítica: Agents of SHIELD atinge seu ápice na 4ª Temporada.

*Contém Spoilers.

 



RENOVAÇÃO

Com o final da 3ª Temporada, Agents of Shield encerrou uma ‘trilogia’ de sua história, fechando arcos presentes desde o seu início de forma eficiente.
Partindo do epílogo de “Acension” (3×22) a série começava um capítulo totalmente novo, com os personagens e equipe em status quo diferentes e com o desafio de uma 4ª Temporada em novo time (22:00), perigoso para a audiência porém o horário com a maior liberdade criativa da TV aberta americana, permitindo a se renovar – mais uma vez – com histórias mais maduras, sombrias, cenas violentas e certa sexualidade.

 


GHOST RIDER

A série iniciou seu quarto ano apostando alto suas fichas, trazendo o icônico Ghost Rider em uma versão pouco conhecida para a TV: o Motorista Fantasma, versão recente que estreou em 2011 nos quadrinhos onde o jovem Robbie Reyes é possuído pelo espirito em busca de vingança.

Assim que foi feito o anuncio logo os fãs ficaram temerosos pois não é um personagem comum, toda sua história (feitas para um público maior de idade) e poderes são um tanto complicados para se retratar na TV, que possuiu um orçamento bem reduzido em comparação aos filmes. O personagem já possuía uma adaptação de sua antiga versão, com Nicholas Cage no papel de Johnny Blaze em dois filmes para o cinema; o resultado sabemos bem… Em suma tudo poderia dar errado logo de início, mas com a premiere da temporada intitulado “The Ghost” tivemos uma surpresa agradável com o que nos foi apresentado, um Ghost violento, brutal e demoníaco, com um CGI acima do esperado, perfeito para um orçamento de série.

O Arco do personagem foi claramente uma jogada de marketing, que deu certo e acrescentou muito para a série, inclusive em ‘importância’ e visibilidade. Também vale citar que a caracterização bastante fiel e a interpretação de Gabriel Luna deu o toque certo ao personagem.

 


L.M.D.

Enquanto o Motorista Fantasma ainda perambulava pela Shield, outro inimigo já estava a espreita.
Apresentado na reta final do 3º ano, Radcliffe (Jonh Hannah) construiu um LMD (life model decoy) – no melhor português: Modelo de Vida Artificial – chamado Aida. As intenções do cientista não eram claras, apenas no início do arco LMD descobrimos sua intenção de possuir o Darkhold, livro maligno de conhecimentos vastos mas que corrompe quem o lê, forma conveniente de conectar os eventos de Ghost Rider ao real enredo da quarta temporada.

O arco demorou um pouco a engrenar, mas serviu para a evolução do grupo. A substituição dos agentes por lmd’s foi uma sacada brilhante, nos mantendo no suspense e na apreensão de quando a verdade seria revelada. O encerramento do arco LMD, com “Self Control” (escrito e dirigido brilhantemente pelo produtor Jed Whedon) é aclamado por público e crítica como sendo o melhor episódio da série.

A androide Aida é um tópico que precisar ser comentado a parte. Partindo da inocente LMD, a perversa e implacável Madame Hydra e por fim a amável e totalmente louca Ophelia, fomos agraciados com uma personagem fabulosa e uma vilã que será difícil de se superar e sim, temos aqui um dos melhores antagonistas de todo o MCU.

 


AGENTS OF HYDRA – E se…

Em uma temporada com três arcos foi possível ver o que aconteceria se um simples acontecimento na história de nossos agentes fosse mudado, assim adentramos em um mundo governado pela Hydra.

Em “What if…” fomos apresentados ao mundo distorcido construído por Radcliffe e refinado por Aida, um mundo virado de cabeça para baixo. Vemos o pior lado de Fitz como o temido Doutor, a fiel e devotada agente May, temos os retornos de Ward e Tripp, Mace vivendo a vida que sempre quis – não no melhor cenário é claro, conhecemos mais do lado cômico de Clark Gregg em um papel mais relaxado como o professor Coulson, Mack um pai devotado para com sua filha Hope e principalmente Jemma e Daisy as únicas que não foram capturadas e substituídas por LMD’s, conseguiram entrar no framework com as memorias intactas e lutam desesperadamente para salvar seus amigos (a Zombie Simmons e chamar Daisy de Skye novamente foram alguns dos pontos altos).

Os produtores souberam tratar muito bem a “realidade paralela” mostrada na série e principalmente as consequências de suas escolhas. No fim, cada personagem foi afetado de alguma forma pelo framework, Mack teve a felicidade de ter sua filha mas foi quebrado ao ter que perdê-la novamente, Daisy que no inicio queria se afastar, aqui precisou assumir uma posição de líder, Fitz ainda terá que lidar com suas ações e com a reconstrução de seu relacionamento com Simmons que foi completamente dilacerado, May terá que aprender a conviver novamente com as consequências de suas ações e Coulson terá que cuidar de sua família disfuncional mais do que nunca.

 



ATUAÇÕES

Outro tópico que precisa ser comentado a parte, pois o elenco cada vez mais maduro em suas atuações promoveu um verdadeiro show nesta temporada.

Chloe Bennet – Daisy, Quake, Skye – continua surpreendendo em cenas que exigem cada vez mais dela. Sem dúvidas a atriz que mais progrediu neste quesito desde o início da série (ponto alto em Self Control).

Elizabeth Henstridge e Iain De Caestecker brilharam novamente nesta temporada e honram todo o destaque que recebem sendo difícil pontuar os melhores momento da dupla FitzSimmons; mas destaco Fitz como Doutor e Liz como a Zombie Simmons.

Em 5 personagens diferentes – vamos lá: Aida, Aida 2.0, Agnes, Madame Hydra e Ophelia – Mallory Jansen é sem dúvidas o destaque da temporada, dando uma aula de atuação, indo do simples agir de um robô sem emoções ao extremo dos sentimentos humanos, com diferentes nuances em cada uma delas (ponto alto o surto em The Return). É uma pena que as premiações costumam ignorar produções como SHIELD’s pois a moça merece reconhecimento.

 


Pequenos Deslizes…

Como nem tudo são flores, alguns erros foram cometidos durante esta belíssima temporada. Temos muitos antagonistas durante a temporada que são completamente esquecíveis e serviram com o famoso proposito de encher linguiça, por exemplo o tio de Robbie, Eli, mostrou que poderia dar bastante trabalho para nossos agentes mas nada fez e teve a resolução do problema em um fim de arco corrido.

O fato de terem simplesmente ignorado a presença de Ward e Tripp nos últimos episódios, poxa ao menos uma despedida clichê sentimental seria de bom tamanho. Temos ainda a presença do superior, que foi inútil enquanto vivo e depois de virar robô deu a impressão de que finalmente seria algo ameaçador – inclusive a citação a M.O.D.O.K – mas foi limado de forma ridícula na season finale.

Uma consequência dos três arcos em uma temporada foi sentida nos últimos episódios: Agents of Hydra merecia mais tempo! Apesar do excelente trabalho feito com o framework seria maravilhoso mais episódios naquela realidade medonha e, em ‘The Return‘ e ‘World’s End‘ vemos certa correria para finalizar assuntos que renderiam muito mais – o que podemos culpar a ABC pela demora em decidir o futuro da série.

 


CONCLUSÃO

Mas dessa vez, os erros foram poucos e não atrapalham a maravilhosa e focada narrativa. Olhando como um todo esta temporada é um grande grito de afirmação da série para os chefões da Marvel, um grito de “Hey eu estou aqui, eu existo, sou significativo e posso fazer diferença”!

Atingindo seu ápice nesta temporada, Agents of SHIELD não é mais aquela serie com tramas fracas e pouco cativantes que dependiam do eventos dos filmes do MCU, se estabelecendo como uma das melhores produções deste universo.

E após aquela cena final no espaço (Inhumans? Guerra Infinita? S.W.O.R.D?), podemos esperar coisas grandiosas das aventuras de nossos agentes. We’ll be back in season five! 

 

NOTA: 

 


  • Ramon Muriel

    Esta realmente foi a melhor temporada da melhor série de heróis/hqs!
    E sim, como eu queria mais tempo no framework…
    EMMY FOR MALLORY JANSEN!

  • Williams Henrique

    Amei a crítica, essa temporada foi simplesmente incrível! A série melhorou muito e mostrou que pode fazer enredos bons e vilões fodas como a Aida 👏👏👏
    E a atuação deles tava muito boa!!