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Tudo é uma questão de tempo…

Tempo. Se fizer uma rápida pesquisa no google, você poderá encontrar a seguinte definição: “Duração relativa das coisas que cria no ser humano a ideia de presente, passado e futuro; período contínuo no qual os eventos se sucedem”. Tempo é a palavra chave para definir o que foi a terceira temporada de The Flash e todos os eventos que levaram a este ser o pi ano da serie.

O primeiro evento começou quando no final da temporada 2 Barry Allen (Grant Gustin), nosso amado velocista escarlate, toma a maior decisão de sua vida e salva a vida de sua mãe, Nora Allen. Terminamos o segundo ano com a promessa da adaptação de um dos maiores arcos envolvendo o Flash e até de todo universo DC, o Flashpoint.

Poderíamos ter assistido um grande evento que poderia mudar tudo e consertar vários erros cometidos pelo caminho, e não falando apenas da série em si mas de todo universo DC/CW, mas infelizmente jogaram essa chance no lixo e o que foi entregue não saciou nossas expectativas.


Recentemente, algumas séries trabalharam com realidades paralelas, e dessas citamos Agents of S.H.I.E.L.D. com o seu Framework em Agents of Hydra e Legends of Tomorrow com seu Doomsworld. Ambas souberam em alguns episódios lidar com o conceito de realidade paralela e tiraram o máximo de proveito disto, o que infelizmente não ocorreu em com Flashpoint. Todo o peso e importância que este nome carrega foram adaptados de forma porca, corrida e muitíssimo mal trabalhada, condensado em um único episodio.

A série tentou lidar com as consequências do Flashpoint, Barry desfez seu erro mas nem tudo voltou ao normal, cisco perdeu seu irmão, Caitlin se tornou meta-humana, Íris desenvolveu problemas de relacionamento com seu pai e o mais inusitado foi a introdução de Julian,  novo personagem interpretado por Tom Felton, uma adição ao já inchado Team Flash, que também ganhou mais um membro, Harrison Wells, não o verdadeiro, não o da Terra-2, nem mesmo o Flash Reverso que tanto amamos mas esse é um tópico que quero falar depois.

Em resumo o mundo de Barry mudou e nisto surge um novo inimigo Dr. Alquimia, este apareceu nos quadrinhos pela primeira vez na revista Showcase #14 (1956), seus poderes veem da pedra filosofal que possui entre vários poderes a manipulação de matéria. Porém com o andar da história é apresentado o verdadeiro vilão desta temporada, Savitar.

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Primeiro de tudo um ponto que é preciso ser comentado é a adaptação de vilões que nesta temporada foi péssima, Mestre dos Espelhos, Pião, Sombra, Grodd todos sofreram com péssimas adaptações e histórias fraquíssimas, em especial nosso gorila favorito Grodd, que em um episodio duplo extremamente mal trabalhado teve um trama rasa e mal apresentada que muito bem poderia ser um arco de 3 ou 4 episódios. Claro devemos ressaltar o maravilhoso trabalho em CGI para fazer os efeitos do Grodd e toda Gorilla City, em especial na luta do Flash contra Solovar no episódio “Attack on Gorilla City”.

Voltando ao assunto de novos personagens tivemos a introdução de H.R. uma versão de Harrison Wells da Terra-19, que entrou para o Team Flash com o pretexto de que eles precisam de um Harrison Wells para que tudo funcione. Um papel totalmente desnecessário e inútil que nos faz perguntar se tudo isso era apenas “hey sabe aquele personagem que você amou na primeira temporada e se familiarizou com sua versão da Terra-2, bom nós temos uma versão ainda mais diferente dele”. Seu papel no plot da season finale foi uma clara tentativa de dar importância ao personagem e consertar a burrada que fizeram ao introduzi-lo.

Nesta temporada temos Barry e Íris dando um passo a mais em sua relação, vemos a evolução de Wally que se tornou o Kid-Flash tentando lidar com o dever que seus poderes lhe trazem, Cisco (Carlos Valdes) desenvolveu mais seus poderes e até vestiu seu uniforme dos quadrinhos. Também vemos Caitlin (Danielle Panabaker) lidar com seus poderes e sua dupla personalidade de Killer Frost além do pequeno romance que a personagem desenvolveu com Julian que de início era o vilão Dr. Alquimia mas que não passava de um fantoche para Savitar, além de Joe seguindo em frente com Cecille e H.R. a versão de fajuta de Harrison Wells.
A conclusão que se chega é que existe um enorme problema com o excesso de subtramas, problema que já vinha acontecendo desde a temporada 2 onde o desenvolvimento da história é prejudicado por tantas tramas paralelas.
Os episódios crossover são a melhor parte desta temporada, onde podemos apreciar o quão bom é ter um universo compartilhado em “Heros x Aliens”. E é claro, apreciar um pouco do talento de Grant para o canto nos fazendo relembrar sua época de Glee no crossover com Supergirl.


Falando sobre o grande vilão desta temporada, Savitar o deus da velocidade e assassino de Íris West (Candice Patton) nas horas vagas, temos a adaptação de um vilão da época de Wally West como o velocista escarlate nas hqs. Para a serie o personagem é adaptado de uma forma peculiar, um velocista que possui uma armadura – que de início você pode pensar que seja um vilão qualquer da série antiga dos power rangers – que o permite correr muito mais rápido, o protege contra tiros e outras formas de dano e, é claro, mantém sua identidade em segredo porque toda temporada precisa de um velocista misterioso enganando o mocinho…
Enfim, com o tempo descobrimos que Savitar nutre ódio profundo contra o Flash por este ter o prendido na força de aceleração no futuro. Seu plot é o mais peculiar até agora, ele nada mais é que um ‘remanescente do tempo’ de Barry criado em um futuro distante; quando este tem seu confronto final contra o vilão, ele é rejeitado por todos e além de ser amargurado com a perda de Iris, ele então decide se tornar um deus pois não quer sentir mais dor. O plot é bastante corajoso porém muito mal executado.
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Quando se trata de viagem no tempo, os roteiristas precisam ser bem cuidadosos pois é um tema complicado em se lidar e de construir uma história coerente, em The Flash são cometidos bastante erros em prol de um plot twist impactante. O primeiro deles é Savitar revelar sua verdadeira identidade e contar detalhes de sua origem a Barry. É como no experimento do Gato de Schroedinger, este consiste em um gato em uma caixa fechada com um veneno, o gato pode ou não estar vivo mas depende de você abrir a caixa, enquanto a caixa estiver fechada duas realidades possíveis existem, a do gato vivo e a do gato morto, ao contar sua história, Savitar abre a caixa para Barry.

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Saber que vai causar a si próprio tanta dor  ao tirar a vida do amor de sua vida não faria Barry pensar duas vezes em cometer o erro de criar remanescentes do tempo para deter Savitar? São questões como essa que o roteiro cheio de furos deixa transparecer. O próprio plot twist parece uma tentativa desesperada de chocar o público.
Ao final desta temporada vemos o inchado team flash perder alguns membros e no fim em meio a uma tempestade de raios causada pela força de aceleração – clara referencia ao primeiro arco de The Flash no Rebirth da DC – perdemos também Barry Allen que se sacrifica para salvar toda cidade.

Em meio a tanto caos e desastre podemos tirar uma coisa boa de todos os erros cometidos nesta temporada: pode-se aprender com os erros e evitar de comete-los novamente. Em uma temporada com 23 episódios é possível sim construir uma boa história, apenas precisam aprender a aproveitar bem o tempo que possuem pois, novamente, é tudo uma questão de tempo.

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NOTA: Resultado de imagem para duas estrelas png

Texto de Matheus Augusto.

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