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Em abril de 2015, a Netflix lançava em sua plataforma de streaming a primeira temporada de Demolidor, dando o pontapé inicial para a criação de um universo que é hoje um de seus maiores sucessos. Após duas temporadas da série do homem sem medo e uma para Jessica Jones, Luke Cage e o garoto com o punho de ferro, finalmente o universo dos heróis urbanos do Universo Cinematográfico da Marvel chega ao seu ápice com a grande união dos nossos amados personagens em Os Defensores. Confira nossa review da primeira temporada da série.


A série tem de inicio uma premissa um tanto simplória: juntar seus heróis para combater uma ameaça em comum que ameaça Hell’s Kitchen, e faz isto com maestria. Como em suas outras séries seu inicio é bastante introdutório o que pode até gerar no expectador uma certa de impaciência, pois este quer o quanto antes ver os protagonistas reunidos e interagindo entre si. Porém o tempo de pouca ação foi utilizado pelos roteiristas para introduzir cada herói de forma competente; cada um é levado ao momento em que os quatro protagonistas se encontram, assim percebe-se que eles não foram simplesmente jogados ali em meio a ninjas assassinos e uma organização do mal. Logo no primeiro encontro temos a famosa “cena do corredor”, uma das maravilhosas cenas de lutas que existem na série. O que realmente impressiona é como são conectados acontecimentos das series solo dos personagens, principalmente Demolidor e Punho de Ferro pela trama envolver diretamente o antagonista principal das séries, O Tentáculo.


A química entre os quatro defensores é agradável e o tempo de tela de cada herói é bem distribuído, cada um exerce um papel fundamental seja para a trama ou até mesmo para a evolução de outros personagens. Podemos ressaltar as duplas Danny Rand (Finn Jones) e Luke Cage (Mike Colter), os assim chamados heróis de aluguel nas HQs, onde é possível ver um inicio de uma grande amizade que vai deixar os fãs maravilhados e é claro a improvável dupla, Jessica Jones (Krysten Ritter) e Matt Murdock (Charlie Cox) que dão uma boa dupla de detetives, além de é claro trazer boas risadas.

A evolução dos personagens é nítida, cada defensor traz consigo uma certa bagagem emocional, que com o tempo é superada em prol do bem maior, por exemplo Jessica deixando de lado sua dificuldade em lidar com as pessoas para trabalhar em equipe, ou Danny recém saído de sua morna série solo, tem uma incrível evolução no seu crescimento como personagem deixando (um pouco) de lado sua personalidade infantil e indo para um tom mais dramático ao carregar em seus ombros o peso de sua decisão em ter abandonado K’hun Lun e isto resultar em uma brecha para o Tentáculo agir contra seu povo; pontuando também a melhora da atuação de Finn Jones, nos entregando um ótimo punho de ferro. Charlie Cox mais uma vez está incrível e ainda mais a vontade em sua atuação como Matthew Murdock, este que ainda sofre com a perda de Elektra e tem duvidas sobre se deve continuar sua vida como o demônio de Hell’s Kitchen ou viver uma vida normal ao lado de Karen Page. Luke tem como função principal ser uma espécie de apoio para os membros da equipe, com direito a lições de moral, além de lidar com a responsabilidade de ser o Herói do Harlem.

Um dos grandes acertos da série é se manter pé no chão como todas do selo Marvel/Netflix. Não é preciso uma ameaça mundial ou nada tão megalomaníaco para reunir os heróis. Além disso a série é utilizada de forma acertada para corrigir alguns erros cometidos em outras séries.

Algo interessante de ressaltar é a qualidade técnica e direção, que evoluiu em relação às últimas produções dos heróis. As coreografias estão melhores e mais caprichadas, evidenciada principalmente em Danny Rand com diferença gritante da recente série solo do personagem. A paleta de cores nas cenas de cada personagem, que vinha sendo estabelecida nas séries solo, deu à fotografia da série um toque todo especial.


Sigourney Weaver encabeça a lista de antagonistas da série com tom certeiro e atuação maravilhosa para sua personagem Alexandra e com ela são introduzidos novos vilões. Também termos o retorno de velhos conhecidos como Madame Gao e Bakuto, além do retorno de Elektra que rouba a cena e ganha destaque principalmente nos episódios finais.

Os coadjuvantes são utilizados de forma perfeita, entrando ou saindo de cena em partes chave da trama, destacando Colleen Wing. É interessante ver como os secundários se relacionam, e as subtramas que estes personagens trazem não atrapalham em nada, na verdade só contribuem, abrindo novos caminhos.


Os Defensores se mostra como um acerto da Marvel/Netflix, se saindo melhor que as últimas produções trazendo muita ação, roteiro (com falhas mas) eficiente e diversão na medida certa.

NOTA: 4.0/5.0